Camarote Frisas Cadeira Alta Pista Platéia Superior
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Jay Vaquer Show de abertura: Mixtape
O cantor e compositor Jay Vaquer faz única apresentação no HSBC Brasil no dia 27 de março e mostra ao público paulistano o ótimo resultado de “Alive in Brazil”, Cd e DVD, que é muito mais do que um retrato de seus quatro álbuns anteriores. Com vocês, “Alive in Brazil” pelo jornalista Mauro Ferreira:
“** Aos olhos da sociedade hipócrita que mascara seu lado mais escuro, Jay Vaquer pode ser encarado como um espírito de porco. De certa forma, o cantor e compositor encarna voluntariamente esse papel ao cantar e falar o que pensa. Sua música expõe as sujeiras escondidas debaixo do tapete, escancara o que ninguém quer ver e grita o que ninguém quer ouvir. É por isso que a imagem do porco aparece no primeiro registro ao vivo de show de Jay, Alive in Brazil, editado neste mês de outubro de 2009 pela gravadora Som Livre, nos formatos de CD e DVD. Alive, sim, pois o artista é um sobrevivente na selva urbana do mercado musical que se corrói por conta da pirataria e da mediocridade reinante. Alive in Brazil, sim, pois neste país – e que país é este? – é muito difícil chegar ao primeiro DVD depois de quatro álbuns autorais, feitos em estúdio sem nenhuma concessão. Mas Jay chegou lá com seu pop rock de tom mordaz. Mordacidadepresente já no título em inglês, mas que tem tudo a ver. Inclusive pelo padrão internacional da produção do show que foi captado na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ), em 20 de novembro de 2008, com direção de Paulo Amorim. O requinte da produção é o mesmo que vem norteando a confecção dos elogiados clipes do artista.
Detalhe surpreendente que atesta a honestidade do artista: não há inéditas entre as 21 músicas do roteiro. Isso mesmo! Jay Vaquer não está oferecendo um requentado registro ao vivo de show como tantos que são despejados diariamente no mercado fonográfico brasileiro, trazendo uma ou duas inéditas para tentar tirar o mofo do repertório. O ineditismo está na concepção do espetáculo, inspirado no conceito de monomito (ou mito único) proposto pelo antropólogo Joseph Campbell (1904 – 1987). No palco, Jay encarna o herói que enfrenta armadilhas e desafios em busca da realização dos seus sonhos. É nesse contexto inédito que as músicas dos quatro álbuns de estúdio de Jay – Não Tão São (2000), Vendo a mim Mesmo (2003), Você Não me Conhece (2005) e Formidável Mundo Cão (2007) – são combinadas num roteiro redondo que conta a saga desse herói de contorno pop.
Conceito à parte, o que se ouve é um pop rock cantado em português, mas com forte influência do rock inglês, que, desde os anos 60, vem ditando as normas da cartilha pop universal. Mas, acima de rótulos, Alive in Brazil perpetua a comunhão entre Jay Vaquer e seu público. Elo que foi se fortalecendo ao longo desta década de forma espontânea, sem pressões midiáticas. “Entendo esse trabalho como um produto que já merecia acontecer porque existe uma carreira, uma trajetória e, sobretudo, um publico interessado”, avalia Jay, com razão. A propósito, o coro espontâneo da platéia em temas como o rock “Longe Aqui” e a balada “Tal do Amor (8 e 80)” atesta a veracidade das palavras do artista.
Alive in Brazil eterniza em DVD um espetáculo de caráter performático que se vale da música para entreter o espectador ao mesmo tempo em que o faz refletir sobre o que é cantado nas letras. E o que é cantado soa forte e ecoa com contundência rara no conformista rock brasileiro da atualidade. Se “Formidável Mundo Cão” narra a saga cínica do jovem que vira político e dono de igreja após ser absolvido do crime de matar a própria família, “Estrela de um Céu Nublado” conta a história de um jovem ator precocemente fracassado por não fazer o jogo sexual do diretor que lhe propõe trabalho. Nesta música, bisando o dueto gravado em seu quarto disco, Jay Vaquer recebe no palco da casa Vivo Rio a cantora Meg Stock, projetada como vocalista do grupo carioca Luxúria.
O tal caráter performático do show pode ser percebido desde o primeiro número, “Me Tira Daquiii!”, quando nosso herói, enjaulado, grita por sua liberdade. Mas a prisão parece ser o destino e o estigma do Homem urbano do Mondo Muderno. E, ao fim do show, tudo se fecha (literalmente), reafirmando o caráter redondo do roteiro bem amarrado. Entre o início e o fim, nosso herói expõe seu pensamento no ar, suspenso por cordas, como Jay aparece no palco em “Cotidiano de um Casal Feliz”.
Enfim, só vendo para crer que ainda existem artistas que não se vendem. Nem tão são, mas sempre lúcido, Jay Vaquer vende a si mesmo sem truques e com honestidade bissexta na cena musical. E o bacana é que, cada vez mais, um público antenado vem comprando sua mensagem. Se você ainda não o conhece, agora pode ser a hora. Alive in Brazil – cujos extras do DVD podem ser conferidos quando o espectador clica na imagem do porco que aparece em cada música – reitera a interação crescente entre
público e artista. O mundo cão às vezes pode ser formidável”.
Mauro Ferreira, outubro de 2009 **
MIXTAPE
ROCK COM PITADAS DE MODA E ARTE
As meninas curitibanas fazem a abertura do show de Jay Vaquer no HSBC Brasil
Composto por Pris Elias (vocal, guitarra e teclados), Helen Negrão (baixo) e Renata Monteiro (bateria), o power trio curitibano Mixtape que lançou em agosto passado seu álbum de estreia, O Tormento do Tempo, disco independente, produzido pelo curitibano Wandley Bala, traz novidades para 2010. A banda está em estúdio para a gravação da versão acústica da música “Não Sou Você”. “Pretendemos lançar um novo disco em 2011, mas até lá teremos algumas novidades para a galera que acompanha a banda, entre elas, essa faixa acústica que também vai ganhar um vídeo promo”, revela Pris. O lançamento de um novo videoclipe cuja música as meninas ainda mantém em segredo, também é plano para esta temporada.
Batizada por sugestão de Helen, a partir do nome dado às fitas K-7 de compilações comumente gravadas pelos jovens na década de 80, a Mixtape é definida por suas integrantes como uma síntese do espírito que movia essas coletâneas: uma reunião de influências musicais. “A gente achou que o nome era perfeito para uma banda que nada mais é do que isso: uma combinação de tudo o que mais gostam as suas integrantes”, explica Pris.
Amigas há seis anos, as três garotas da Mixtape decidiram formar uma banda em 2008, quando Pris comprou um gravador digital para registrar algumas das canções que havia feito. “Mostrei para as meninas, elas curtiram, me ajudaram com os arranjos e nós resolvemos soltar as músicas na net pra mostrar para os amigos”, conta a vocalista, citando o principal meio de divulgação utilizado pelo grupo. “Orkut, Fotolog, Twitter, MySpace e Trama Virtual são algumas das ferramentas que utilizamos para que a coisa acontecesse. Graças a esse impulso inicial, posteriormente conquistamos outras mídias como jornais, revistas, tevê e rádio”, explica. Hoje, as garotas possuem uma média de 4 mil acessos diários ao material da banda disponível on-line.
Outro instrumento eficaz para a divulgação do trabalho das garotas é o caprichado videoclipe da canção “Meu Mundo”, gravado em uma mansão abandonada nos arredores de Piraquara (região metropolitana de Curitiba) e dirigido por Jonah Emilião, do coletivo de artistas Estúdio Rasputines. Lançado em fevereiro de 2009, o vídeo já integra a programação da MTV brasileira (na faixa MTV Lab) e vem rendendo bons contatos em outros estados. “Cada vez que o vídeo é exibido na MTV, recebemos cerca de 50 novos contatos de pessoas de diferentes regiões do Brasil. A galera geralmente se impressiona quando percebe que a produção foi independente”, orgulha-se.
Além das ferramentas virtuais, as garotas da Mixtape manejam outras vertentes a serviço da música, entre elas, a moda. As integrantes Pris e Helen possuem uma grife de roupas, Vira o Disco (www.viraodisco.com.br), criada em 2005, com o intuito de fazer moda inspirada em música, cinema e arte. “Se a Mixtape é música com uma pitada de moda e arte, a Vira o Disco é moda com uma pitada de música e arte”, diverte-se a vocalista que, ao lado de Helen, elaborou o conceito da Vira o Disco para fugir do lugar-comum encontrado nas lojas especializadas. “Sempre curtimos roupas inspiradas em música, mas só encontrávamos as camisetas pretas e de malha duvidosa em lojas de rock em que o preto predominava, além disso, grande parte das bandas que curtíamos não estava no catálogo”, revela.